Grão-Duque Guillaume estreia-se no Festival das Migrações


O mundo num mesmo espaço. É assim que se pode resumir o Festival das Migrações, das Culturas e da Cidadania, que todos os anos destaca a diversidade cultural existente no Luxemburgo. Cerca de meia centena de artistas, escritores e associações da lusofonia voltam a marcar presença no certame, que decorre nos dias 21 e 22 de março, em Kirchberg. Esta edição marcará a estreia do Grão-Duque Guillaume como chefe de Estado.

A abertura oficial do Festival das Migrações está marcada para as 14h30 de sábado, 21 de março, na LuxExpo the Box. Além do Grão-Duque, também o ministro da Família, Solidariedade e Vivre Ensemble, Max Hahn, e a vereadora de Integração da comuna da capital, Corinne Cahen, estarão na cerimónia de abertura.

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Perto de 30 stands associativos lusófonos

Esta 43.ª edição do Festival das Migrações volta a contar com uma significativa representação lusófona, incluindo a Rádio Latina e o jornal Contacto, diversas associações, artistas e escritores distribuídos por vários stands, atividades culturais, debates e manifestações artísticas.

Quanto aos stands informativos e de gastronomia, os cabo-verdianos vão ter 11 associações presentes e uma ONG: Associação Cabo-verdiana do Sul do Luxemburgo, Associação São Vicente, Veteranos do Norte, EducActions Cap-Vert, Smiley Kids, Associação das Mulheres de Santo Antão, SOS CAP-VERT, Etoile du Cap-Vert, Alto Mira – Lux, Ami Ku Nhôs, Federação das Associações Cabo-verdianas do Luxemburgo e a ONG Cap Vert Espoir et Dévelopment (CVED).

Portugal estará presente com sete stands, incluindo a Coordenação de Ensino de Português/Camões, o Grupo Etnográfico do Alto Minho, Amigos Emigrantes, Associação Portuguesa e Solidária dos Artesãos, Grupo Folclórico Mocidade Portuguesa no Luxemburgo.

Entre os guineenses há cinco associações: Luso-Guineense, Associação guineense de Cabienque, Filhos, descendentes e amigos de Canhobe, Associação dos emigrados de Tame e Guinendadi.

Os brasileiros fazem-se representar com os stands do Coletivo Entreajudas Luxembourg, Capoeira Bissen e Capoeira Team Luxembourg, enquanto Angola será representada novamente pela ‘Organização das Mulheres Solidárias com Angola’.

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Programação de sábado

O festival abre as portas ao público às 11h no dia 21 de março e fecha à meia-noite e meia, sendo que a participação lusófona começa às 12h, com uma demonstração da Capoeira Team Luxembourg, no grande palco do hall 8.

Uma hora depois, começa o atelier de leitura e iniciação à aguarela “Voyage entre les branches”, com artista Júlia Borges, no palco Village.

Às 14h está agendado um encontro literário, na sala do rés-do-chão, sobre vozes femininas na literatura feminina, com Deise Ramos (Brasil - France), Fernanda Bittar (Brasil - France), Maria Klien (Brasil), Rossana Jansen (Brasil), Adriana Mayrinck (Brasil - Portugal), Júlia Silveira (Portugal), Bia Maria (Portugal), Susana Pires Kelly Graff (Brasil).

As oito autoras de diferentes universos literários, residentes em Paris e em Portugal, reúnem-se para partilhar as suas experiências, os seus percursos e apresentar as suas obras. Um encontro marcado pelo diálogo intercultural e pelas vozes femininas que atravessam fronteiras através da literatura.

À mesma hora, mas na sala sA, a professora luso-cabo-verdiana, Cármen Santos Alves, da Comissão de Ensino eo Português no Estrangeiro/Instituto Camões, participa numa mesa redonda sobre a importância de uma biblioteca multilingue. Esta mesa redonda inclui outros oradores de diferentes culturas, numa proposta pelo serviço de integração e acolhimento escolar do Ministério da Educação.

Às 15h30, Bruno Cavaleiro, vereador lusodescendente de Esch, fará parte de um debate sobre a crise do acesso à habitação no Luxemburgo, juntamente com o ministro da tutela, Claude Meisch, e outros especialistas, na sala do rés-do-chão.

Paralelamente, decorre o encontro literário “O mistério da literatura portuguesa”, na sala 1, com os autores da nova geração Miguel d’Alte e Lourenço Seruya, numa proposta da Livraria Pessoa.

Às 16h, o grupo musical guineense Brasa vai atual no palco principal, no hall 8. Uma hora depois, o embaixador do Brasil no Luxemburgo, Sílvio José Albuquerque e Silva, irá participar na conferência “Ser negro: realidades, heranças e alavancas”, na sala 2B, sob proposta da associação One People.

Às 18h30, o jornal Bom Dia, propõe a apresentação do livro “60 anos. Portugueses no Luxemburgo – 30 histórias”, na sala do rés-do-chão. Trata-se de uma recolha de testemunhos de portugueses chegados ao Grão-Ducado ao longo das últimas seis décadas, sob coordenação de São Gonçalves, com a chancela da Oxalá Editora.

À mesma hora, Selena Pinto, membro da associação Intersex & Transgender Luxembourg, fará parte de uma conferência que visa abordar a situação atual da comunidade transsexual no Luxemburgo, na sala 2B.

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Sérgio Ferreira, da ASTI, irá participar num debate sobre o trabalho

Programação de domingo

No domingo, dia 22 de março, as portas do festival abrem igualmente às 11h, mas encerram mais cedo, às 20h.

A participação lusófona começa às 12h30, com uma atuação do grupo Capoeira Bissen, no grande palco do hall 8. Às 14h, no palco Village, decorrem as animações literárias “O Herói das Pequenas Vitórias”, com Virgínia Pereira, e “Dizeres Populares Ilustrados em Português”, com a autora Otília Ramos e o ilustrador Hugo Schijns. As iniciativas são propostas pela Livraria Pessoa e convidam miúdos e graúdos a descobrir histórias e expressões da língua portuguesa de forma criativa e participativa.

Também às 14h, na sala 2A, realiza-se a conferência “Trabalhar sem reconhecimento: diplomas, precariedade e invisibilidade das novas migrações”, proposta pelo departamento dos imigrantes da central sindical OGBL. A mesa redonda conta com a participação de Sérgio Ferreira, da ASTI, entre outros oradores, e será moderada por Jéssica Lopes, da OGBL. O debate pretende abrir um espaço de reflexão sobre os desafios enfrentados pelas novas migrações no mercado de trabalho luxemburguês.

Às 15h, o grupo de batucadeiras Amizade Cabo-Verdiana sobe ao grande palco do hall 8. Meia hora depois, é a vez do grupo folclórico português Mocidade atuar no mesmo palco.

Pelas 17h, na sala do rés-do-chão, Pedro Santos, da Caminho Coop — uma cooperativa portuguesa dedicada a projetos de inovação e desenvolvimento comunitário — participa numa mesa redonda sobre capacitação financeira e envolvimento de jovens e migrantes em projetos comunitários.

O espetáculo de encerramento do festival termina com duas atuações da música cabo-verdiana. O artista Nhu Santos sobe ao palco principal às 18h com sons de coladeira, enquanto o grupo Pilon, referência do funaná no Luxemburgo, vai atuar às 19h10, para apresentar o seu quinto álbum, “Nu Sta Li” (“Nós estamos aqui”).

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Salão do livro com seis escritores

Além dos diversos eventos literários nos dois dias, o Salão do Livro e das Culturas vai receber este ano os escritores Agostinho Jacinto Cabral Jerónimo, Ana Cristina Feijó, Jéssica Lopes, Júlia Borges, Marie Rocha e Miriam Medina. Também acolhe os stands de literatura lusófona In-Finita Editoral, Associação Pessoa e associação angolana Welwitchia Mirabilis.

ARTSManif com oito lusófonos

Na secção “ARTSManif”, o público poderá apreciar obras dos artistas Ana Dinis, Bruna Alves, José Pereira, Neusa Gomes, Sérgio Pereira, Paulo Santos, Manuel Dias e as associações Ponte Cultural e Guinendadi.

A entrada no Festival das Migrações é livre e o estacionamento diário no parque de estacionamento da LuxExpo tem um preço diário de seis euros.

Uma seleção dos principais acontecimentos para terminar o dia.
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Henrique de Burgo | Fotos: LW